Músculo da confiança
- Maria Antonieta Lemos
- 8 de fev. de 2023
- 2 min de leitura
Tem algumas palavras que me irritam. Tipo talento, determinação, autoestima. Por alguma razão me fazem pensar que todo mundo tem isso menos eu. Me identifico muito mais com verbos já que me dão alguma sensação de autonomia. Se eu fizer, acontece, se não, não.
Por isso gosto tanto da ideia de que a nossa confiança é um músculo que pode ser exercitado e fortalecido.
Peguei pra mim o conceito de que autoconfiança é o cumprimento das promessas que fazemos pra nós mesmos. Sei que posso contar comigo mesma e toda vez que falo que vou fazer algo, faço e assim minha confiança em mim mesma vai ficando cada vez mais forte.
Mas e aquela confiança em algo maior? Saber que eu posso dar aquele passo e que tudo vai dar certo? Ufff, esta é muito mais difícil e parece totalmente fora do meu controle. Quer dizer que eu devo apenas confiar? Assim, do nada?
O jeito que eu tenho aprendido a confiar é testando aos poucos. Me jogo da ponte, mas presa por um cabo. Mergulho de cabeça, mas nunca sem antes saber a profundidade da piscina.
Pedi demissão depois de quase 20 anos sem ter nada em vista. Por outro lado, tinha um pé de meia e fiz minhas contas. Terminei um casamento morando em outro país, comecei um negócio sem nenhuma perspectiva e deleto boy lixo mesmo quando o app me diz que já não tem mais ninguém com meu perfil.
Consegui encontrar uma maneira de aos poucos começar a entender até onde posso ir. Deixo uma brechinha para que o acaso faça seu trabalho. Quem sabe um dia vou conseguir soltar mais, mas por enquanto vou somente soltando as cordas devagarzinho.
Por que você não tenta? Onde na sua vida você pode confiar um pouco mais? Deixe de ligar pra aquela amiga que não te valoriza, gaste um pouco mais em uma refeição saborosa, converse sobre um aumento mesmo em momento de crise, pule a academia por um dia, deixe seu filho andar uns passos na sua frente.
E fique atento! Observe como o universo te responde. Talvez você faça uma nova amizade, alguém se ofereça para pagar a conta, uma nova vaga de trabalho apareça, seu peso não mude ou seu filho se sinta mais independente.
Bora confiar na confiança?


